Memória, raça e seletividade penal no Brasil

Livro 'Da chibata ao camburão’, de Raoni Vieira Gomes, reflete sobre as histórias não contadas sobre o negro no Brasil

 

De acordo com o Anuário Nacional da Segurança Pública de 2019, 64% da população carcerária, 75,4% das vítimas mortas por policiais e 51,7% dos policiais mortos naquele ano apresentavam algo em comum: a cor da pele negra. Para o advogado criminalista e pesquisador capixaba Raoni Vieira Gomes, os dados escancaram como esse recorte racial está diretamente ligado ao passado escravocrata do país. Após mais de 130 anos desde a abolição da escravidão no Brasil, ainda persistem na sociedade a exclusão e a redução do povo negro – que é sistematicamente o alvo principal em todas as etapas da criminalização. Em Da chibata ao camburão (Milfontes, 164 pp, R$ 59,90), o autor evidencia a necessidade de uma reconstrução da memória racial nacional como alternativa à seletividade do sistema de justiça criminal brasileiro. “Uma vez que esquecimentos históricos acabam por gerar permanências e reiterações das mazelas, a memória acerca da escravidão é o principal antídoto ao nosso racismo estrutural”, defende Raoni. Com capa assinada pelo designer Gustavo Mendonça, prefácio do Prof. Dr. Nelson Camatta Moreira (FDV-ES) e apresentação do historiador Luiz Antônio Simas, o livro reflete ainda sobre os efeitos da “abolição sem inclusão” no país, em uma dimensão jurídico-histórica.

 Fonte: Memória, raça e seletividade penal no Brasil | PublishNews

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